Publicado por: Assessoria de Comunicação Fotec | junho 13, 2013

Jaeci Galvão: A história de Natal escrita com luzes

Fotógrafo natalense narrou a história de Natal com luz

Por Sylvana Marques

Jaeci Galvão é um importante fotógrafo natalense, que narrou à história da cidade de Natal pela escrita com a luz. Captou uma multiplicidade de signos visuais que foram impostos sobre o espaço urbano. Transitou pelos equipamentos arquitetônicos, pelos modos de socialização, pelos espaços de lazer, de trabalho, pelo urbano e pelo litoral indicando as diversas espacialidades da cidade de Natal.

Elaborou uma das maiores narrativas visuais acerca da vida social da elite de Natal, são mais de meio século de história contada por meio de imagens. Ficou conhecido em sua juventude, entre seus amigos e clientes como: o “fotógrafo dos artistas”, pois além de fotografar as pessoas públicas da cidade, tinha acesso aos artistas que vinham se apresentar em Natal, muitos eram recebidos em sua residência . O pesquisador e professor aposentado da UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Carlos Roberto de Miranda Gomes, ao narrar à história do imigrante Italiano Rocco Rosso (1899-1997) e suas contribuições em Natal, não esqueceu de dissertar sobre os amigos do imigrante, e entre eles, estava Jaeci Galvão denominado pelo personagem por ser “o fotógrafo dos artistas, no tempo de ouro do rádio” (GOMES, p. 164, 2012). Sobre a alcunha, ainda vale destacar a matéria no site “Natal de Ontem”, do engenheiro civil, Manoel de Oliveira Cavalcanti Neto. Na página onde o autor enumera as “110 coisas que não podem ser esquecidas em Natal”, entre os carnavais, os monumentos históricos, as escolas, as praças e os espaços de sociabilidade, lá esta em número 30, as fotos “para a posteridade” tirada pelo “fotógrafo dos artistas”, Jaeci.

Auto - retrato (Foto:Sylvana Marques/Fotec)

Auto – retrato (Arquivo)

O profissional não atuava sozinho em Natal, mas do seu círculo de profissão, que entre eles destacam-se João de Britto Namorado, Emílio Vale, João Alves de Melo, Luiz Grevy Silva e José Seabra; Jaeci Galvão sobressaiu-se.

Jaeci Emerenciano Galvão nasceu em Natal, no dia 05 de julho de 1929, filho de Jaime e Cecília. Seu pai, Jaime Coelho Galvão, trabalhou na coletoria pública do município da Penha, hoje Canguaretama. Residiram, nesse município, por 10 anos e depois retornaram à Natal, para o pai de Jaeci exercer o cargo de fiscal aduaneiro da alfândega. E, Cecília Emerenciano Galvão, sua mãe, foi uma mulher a frente de sua época. Jaeci, da mãe herdou todo o empreendedorismo e o gosto pelos negócios.

Praia de Pirangi (Foto: Arquivo Pessoal)

Praia de Pirangi (Foto: Arquivo Pessoal)

Tem uma única irmã, mais jovem, chamada Teresinha Emerenciano Galvão Vaz (1931), hoje, casada com o senhor Álvaro Vaz. Terezinha, foi funcionária pública e trabalhou no palácio do governo, na Secretaria de Segurança do Interior e da Justiça, é aposentada. Em uma família, no qual todos trabalhavam, Jaeci, iniciou seu trabalho muito cedo, ainda na época que estudava no colégio Atheneu Norte-Rio-Grandense. Naquela época, seguir adiante na escola, não era interessante para Jaeci, já que não demonstrava um maior interesse pelas carreiras tradicionais. “Meus pais queriam demais que ele se formasse, porém ele preferiu se dedicar à fotografia”.

A escolha profissional veio sob grande incentivo da mãe de Jaeci, que preocupada com o futuro do filho, observou a sagacidade com que o menino manejava a máquina fotógrafa do pai e cogitou a profissão de fotógrafo. Como relembra sua irmã: “Papai tinha uma máquina, ele começou com a máquina de papai e tio Alphéo, ajudou depois”. O trabalho de José Seabra de Melo, que na época, fazia fotografias na Praça Pedro Velho e tinha uma grande clientela, também serviu de inspiração e incentivo:

(…) naquela época foi ele quem inventou fotografia na praça. É tanto que faziam filas ara tirar retratos, àquelas árvores feito coelhinhos e cavalinhos…e minha mãe sabia que eu não era muito chegado às letras, fez eu comprar uma máquina e daí me tornar um fotógrafo seguidor daquele Seabra.

Baile de Carnaval (Foto:Arquivo Pessoal)

Baile de Carnaval (Foto:Arquivo Pessoal)

Jaeci objetivava comprar um bom equipamento e com o apoio da sua mãe montou uma sorveteria. Nesse empreendimento, era responsável pela fabricação dos sorvetes e organizava um grupo de garotos para a venda nas ruas e nas praias de Natal. Logo, quando Jaeci tinha seus 15 anos, seu tio Alphéo, militar, em uma viagem de retorno à Natal, lhe apresentou um marinheiro que comercializava máquinas fotográficas e outras mercadorias. Entre as máquinas que estavam disponíveis, havia uma Voiitlender Baby Bessa, de origem alemã. Nessa câmara, Jaeci viu à oportunidade de profissionalizar o seu trabalho na fotografia, era uma das máquinas mais modernos da época. A irmã Terezinha, afirma que a responsabilidade e a vontade de trabalho, sempre cercou a vida de Jaeci. Muito cedo abraçou os deveres profissionais e familiares.

Casou-se na adolescência, em cerimônia religiosa com Albanisa Alves, união que lhe trouxe a filha Suely Alves Galvão (faleceu no terceiro ano de vida); os seus filhos gêmeos Jair e Jaime Alves Galvão e Frederico Alves Galvão (fotógrafo). Em âmbito civil, constituiu seu segundo matrimônio, com Eufrosina Gurgel Santos Galvão, que a família carinhosamente chamava de Loinha ou Goia, tiveram quatro filhos: George William Gurgel Galvão; Geórgia Gurgel Galvão (Nena); Jaeci Júnior, que do pai herdou, em especial, o amor pelas fotografias aéreas (fotógrafo de paisagens aéreas) e a filha Patrícia Grace Gurgel Medeiros. De educação tradicional e muito ligada à família, Terezinha se ressente pela falta de tempo dos dias de hoje, que a mantém, de certo modo, afastada de Jaeci.

Vale salientar – por causa das notas publicadas em jornais e revistas que associam, de maneira equivocada, o fato do profissional ter se dedicado a fotografia ao fato de não gostar de estudar – que ser fotógrafo, na época de Jaeci exigia antes de tudo estudo, dedicação e conhecimentos específicos.  O desinteresse do jovem fotógrafo estava em seguir as carreiras tradicionais, como a medicina e o direito, que eram incentivadas por seus pais, como pela maioria das famílias que possuíam a oportunidade de manter seus filhos estudando. O gosto pelo estudo e pelas leituras pôde ser observado pelas buscas que precisou empreender para ser capaz de desenvolver sua arte dentro de uma determinada estética e de técnicas necessárias para a revelação de seus negativos. Conduziu estudos na língua inglesa, que também foi essencial para a aquisição de material fotográfico junto aos militares norte-americanos e para a leitura das principais revistas fotográficas.

Acho que posso afirmar que antigamente as pessoas estudavam até o quinto ano primário e quem quisesse ser médico ou advogado é que continuava estudando. Vale salientar que com pouco estudo que tinham sabiam falar, ler e escrever bem. Papai fez diversos cursos, participou de congressos, tudo para poder melhorar em sua profissão ele fez e quanto ao Inglês lembro quando criança que ele comprava enciclopédias e ficava repetindo a pronúncia, depois ele praticava com os turistas que compravam na loja dele.

O trabalho desenvolvido por Jaeci Emerenciano Galvão, “o fotógrafo dos artistas”, elaborou uma narrativa visual da cidade de Natal. As projeções e perspectivas visuais paisagísticas de suas imagens nos cartões-postais cruzam os anos de 1940 a 1980 e inscrevem esses espaços na memória coletiva.

As produções fotográficas de Jaeci encenam a cidade em seu crescimento urbano. E o fotógrafo além de ser autor de um dos mais completos acervos iconográfico da cidade, é a memória viva de um período singular da história de Natal.


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